Brasil
O encouraçado Aquidabã foi construído no estaleiro Samuda & Brothers, na Inglaterra, lançado ao mar em Poplar em 17 de janeiro de 1885 e passou pela Mostra de Armamento em 14 de agosto de 1885, com 85,40 m de comprimento. O nome homenageia o riacho Aquidabã, afluente do Rio Paraguai, onde em 1º de março de 1870 foi travada a batalha que encerrou a Guerra do Paraguai. A couraça do navio gerou uma polêmica que lhe valeu o apelido de 'couraçado de papelão', dado pelo primeiro comandante. Na Revolta da Armada, em 16 de abril de 1894, foi atingido pela torpedeira Gustavo Sampaio na barra norte de Santa Catarina, encalhou em local raso, semissubmerso, e foi abandonado. Por ter resistido à artilharia na Revolta da Armada, ganhou o apelido de 'Casaca de Ferro'. Depois de aprisionado, foi rebatizado de 'Dezesseis de Abril' e, pouco depois, de 'Vinte e Quatro de Maio', e só voltou ao nome original em 1898. O navio foi reparado nos estaleiros Vulcan, em Stettin, e Elswick, em Newcastle.
Em janeiro de 1906, o Aquidabã fundeou na Enseada de Jacuacanga com a divisão que estudava o local do novo Arsenal de Marinha. Às 20h45 de 21 de janeiro de 1906, explodiu o paiol de munições da torre de ré, e o navio partiu-se em dois e afundou em poucos minutos, primeiro pela popa. A causa da explosão nunca foi comprovada, e a cordite, um explosivo instável, é apontada como a mais provável. Os registros divergem no número de vítimas: há os que contam 212 mortos, entre eles parte da comitiva ministerial, o comandante e três almirantes, com 96 ou 98 salvos, e há os que contam 112 mortos. Como vários corpos não puderam ser reconhecidos, a Marinha criou depois do acidente um setor para identificar tripulantes.
Em 1927, uma operação de resgate retirou muitas peças do navio, inclusive uma das torres de canhão; a outra torre continua no fundo, com o canhão de 203 mm, e restam também as três caldeiras e a torre cônica de uma metralhadora Nordenfelt. Em 2001, os destroços foram descritos como desmantelados e meio enterrados num lodo em que o braço afunda até o ombro. O costado de estibordo, quase inteiro da proa à popa, está coberto de grandes gorgônias e tem muitas redes presas. Registros antigos de mergulhadores apontavam poucos peixes e alguns pequenos cardumes.
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