Brasil
O Juracy Magalhães Jr. é um ferry de aço com 71 m de comprimento e 13,5 m de boca, encomendado em 1970 ao estaleiro EBIN Só, de Porto Alegre, pela Companhia Bahiana de Navegação. Lançado ao mar em fevereiro de 1970 e entregue oficialmente em maio de 1972, fez a viagem inaugural em 5 de dezembro de 1972. Tinha cinco conveses, mais de 19 m de altura e capacidade para 14 caminhões, 18 automóveis e 305 passageiros, e operou por quase 46 anos na travessia Salvador–Ilha de Itaparica, levando veículos e passageiros. Fez travessias regulares até o fim de 2017, quando atingiu o tempo de uso permitido pela legislação, e, fora de operação desde 2018, ficou encostado no cais da empresa em Itaparica até ser preparado para o afundamento.
Em 21 de março de 2025, foi rebocado do cais da Companhia Bahiana de Navegação até um ponto a 2 milhas (4 km) da costa do Rio Vermelho, fora da Baía de Todos os Santos, e afundado de propósito para virar recife artificial. A iniciativa foi da Secretaria do Turismo da Bahia (Setur-BA), em parceria com o Inema e a Marinha do Brasil, com o objetivo de atrair vida marinha e incentivar o turismo de mergulho. O afundamento foi feito fora da baía porque lá já existem muitos afundamentos não controlados, e, em acordo com a Marinha, a equipe escolheu um local sem recifes artificiais e de fundo arenoso, para não causar impacto ambiental. Antes disso, o casco foi despoluído e passou por quatro inspeções acompanhadas pela Marinha e por uma engenheira naval, para garantir que não restassem óleo, madeira ou vidro, e espécies invasoras foram retiradas da embarcação. Para o mergulho, foram abertas passagens que deixam quase todo o navio com acesso direto à luz.
O naufrágio assentou com a popa voltada para a costa e a proa para o alto-mar, levemente adernado (5°) para bombordo. No afundamento, a popa bateu no fundo e quebrou parte da rampa de boreste, mas o resto do navio ficou intacto. Vinte e quatro horas depois do afundamento, os peixes já tinham se instalado no casco.
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